terça-feira, 10 de junho de 2008

Há controversas.....e voce o que acha?

Desabafado por: Lenisse Amorim em julho 20, 2004 11:52 PM
Cara, com todo respeito à sua admiração pelo Cazuza, da qual aliás eu não compartilho, acho que quando vc diz que ele "poderia ter sido mais um filhinho de papai como tantos que se encontram por aí", está sendo condescendente demais com ele, provavelmente por causa dessa admiração. Convenhamos: o cara era um puta filhinho de papai! Não é porque ele era muito louco, entrou numa banda de rock e escreveu ótimas letras que passou a ser um exemplo cara legal. Estou falando de exemplo apenas como figura retórica, não estou partindo do pressuposto de que alguém precise de exemplos, muito menos de que outro alguém deva dedicar sua vida a dar exemplos.
Mas a verdade é que a vida do Cazuza é uma grande história sim, mas não na perspectiva das histórias que enobrecem, que trazem crescimento e reflexão aos espectadores. Não que o filme devesse ter uma "moral da história", não que a vida do cara devesse ter uma moral, mas o filme e tudo mais que se sabe da vida do Cazuza desabona essa aura de ícone que lhe é atribuída atualmente, desabona sua adoção como paradigma de uma geração.
Cazuza foi um personagem trágico por excelência: sua grandiosidade estava naquilo que ele tinha de deletério, pernicioso. Sua história se cumpre no seu perecimento, o encanto de suas trangressões se completa na sua punição.
Seu niilismo, suas contradições aberrantes, sua urgência de viver, ao mesmo tempo que encantam, se mostram caminhos absurdos, escolhas inviáveis. Cazuza morreu vítima do exagero que lhe distinguia.
Sabe aquela história do boxeador que viveu para distrair o público, com sua resistência, com seus golpes fulminantes, e hoje paga o preço de uma doença degenerativa que há muito lhe tirou o prazer de viver? Pois é, mais ou menos assim.
O gênero humano tem uma atração inexorável pelo fantástico, pelo sobrenatural, pelo fantasioso. Na perspectiva da experiência humana, Cazuza fascina porque representa exatamente isso: uma forma fantástica de vida, um vivente sobrenatural, descontruindo conceitos, vivendo como se fosse o único na terra, tão belo e livre quanto improvável.
Cazuza regalou-se em viver afrontando a sociedade em que vivia, em ser exatamente o oposto do aceitável. Mas talvez sua morte tenha acabado servindo para fortalecer o estado de coisas contra o qual ele se rebelava. Diante de seu exemplo, muitos talvez tenham sido desencorajados de desobedecer, de transgredir, de contestar.
A mim parece que só é vencedor aquilo que se perpetua, não na mídia, mas no coração das pessoas.
E Cazuza (que descanse em paz)está morto.
Desabafado por: Fábio Said em julho 19, 2004 06:46 PM

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