Desabafado por: Lenisse Amorim em julho 20, 2004 11:52 PM
Cara, com todo respeito à sua admiração pelo Cazuza, da qual aliás eu não compartilho, acho que quando vc diz que ele "poderia ter sido mais um filhinho de papai como tantos que se encontram por aí", está sendo condescendente demais com ele, provavelmente por causa dessa admiração. Convenhamos: o cara era um puta filhinho de papai! Não é porque ele era muito louco, entrou numa banda de rock e escreveu ótimas letras que passou a ser um exemplo cara legal. Estou falando de exemplo apenas como figura retórica, não estou partindo do pressuposto de que alguém precise de exemplos, muito menos de que outro alguém deva dedicar sua vida a dar exemplos.
Mas a verdade é que a vida do Cazuza é uma grande história sim, mas não na perspectiva das histórias que enobrecem, que trazem crescimento e reflexão aos espectadores. Não que o filme devesse ter uma "moral da história", não que a vida do cara devesse ter uma moral, mas o filme e tudo mais que se sabe da vida do Cazuza desabona essa aura de ícone que lhe é atribuída atualmente, desabona sua adoção como paradigma de uma geração.
Cazuza foi um personagem trágico por excelência: sua grandiosidade estava naquilo que ele tinha de deletério, pernicioso. Sua história se cumpre no seu perecimento, o encanto de suas trangressões se completa na sua punição.
Seu niilismo, suas contradições aberrantes, sua urgência de viver, ao mesmo tempo que encantam, se mostram caminhos absurdos, escolhas inviáveis. Cazuza morreu vítima do exagero que lhe distinguia.
Sabe aquela história do boxeador que viveu para distrair o público, com sua resistência, com seus golpes fulminantes, e hoje paga o preço de uma doença degenerativa que há muito lhe tirou o prazer de viver? Pois é, mais ou menos assim.
O gênero humano tem uma atração inexorável pelo fantástico, pelo sobrenatural, pelo fantasioso. Na perspectiva da experiência humana, Cazuza fascina porque representa exatamente isso: uma forma fantástica de vida, um vivente sobrenatural, descontruindo conceitos, vivendo como se fosse o único na terra, tão belo e livre quanto improvável.
Cazuza regalou-se em viver afrontando a sociedade em que vivia, em ser exatamente o oposto do aceitável. Mas talvez sua morte tenha acabado servindo para fortalecer o estado de coisas contra o qual ele se rebelava. Diante de seu exemplo, muitos talvez tenham sido desencorajados de desobedecer, de transgredir, de contestar.
A mim parece que só é vencedor aquilo que se perpetua, não na mídia, mas no coração das pessoas.
E Cazuza (que descanse em paz)está morto.
Desabafado por: Fábio Said em julho 19, 2004 06:46 PM
terça-feira, 10 de junho de 2008
Como não admira-lo????
Cazuza
Não gosto de cinebiografias, principalmente aquelas que enfocam astros do rock. Desde "A Rosa" (adaptação disfarçada da vida de Janis Joplin, estrelada por Bette Midler) até "The Doors" (horrendo longa de Oliver Stone, com Val Kilmer e Meg Ryan), nunca vi algo que prestasse. Aliás, espero que nenhum leitor deste blog tenha jogado tempo fora assistindo ao terrível "Hendrix", telefilme exibido no Telecine alguns meses atrás, que vi até o final movido por impulsos masoquistas. Talvez "A Fera do Rock" (biografia de Jerry Lee Lewis, protagonizada por Dennis Quaid) seja o menos pior de todos eles; mesmo assim, não o recomendaria para locação. Contudo, apesar dos precedentes traumáticos, confesso que estou curioso para assistir a "Cazuza - o Tempo Não Pára", Primeiro, porque Cazuza foi um de meus ídolos na juventude (ah, os anos 80), e é talvez o primeiro deles a ter sua vida retratada na tela grande. Segundo, porque a diretora é Sandra Werneck, a mesma dos bons "Amores Possíveis" e "Pequeno Dicionário Amoroso". Terceiro, porque a vida de Agenor de Miranda Araujo Neto honra o clichê: daria um filme e tanto. Mas, mesmo que não seja uma obra-prima, sua cinebiografia possui o mérito de resgatar a obra daquele que foi talvez o melhor compositor de sua geração.
Cazuza foi um enfant terrible. Filho de João Araújo, fundador da gravadora Som Livre, conviveu desde cedo com grandes nomes da MPB, ao mesmo tempo que usufruiu das benesses de pertencer a uma família de posses. Durante a adolescência viajou para Londres, começou (e abandonou) um curso de fotografia na Califórnia, morou em um apartamento em Ipanema (onde traficou cocaína), sempre às custas dos pais, que ainda assim tentaram "endireitá-lo". Um exemplo: cedendo às pressões familiares, Cazuza prestou e foi aprovado no vestibular do Centro de Comunicações de Jacarepaguá, mas trancou a matrícula logo em seguida. Questionado por João a respeito de sua atitude, retrucou:
- Você disse que me daria um carro se eu entrasse na faculdade, mas não falou nada sobre cursá-la...
Cazuza poderia ter sido mais um filhinho de papai babaca como tantos que se encontram por aí. Mas aquele moleque arrivista tinha um genuíno talento, que começou a ser estimulado a partir de um curso de teatro promovido pela trupe do Asdrúbal Trouxe o Trombone (grupo que revelou atores como Regina Casé e Luis Fernando Guimarães) no lendário Circo Voador. Lá, Cazuza conhece amigos como Bebel Gilberto (filha de João Gilberto e co-autora de "Preciso Dizer que Te Amo") e Léo Jaime (responsável por recomendá-lo ao Barão Vermelho, que estava à procura de um vocalista). Foi numa das apresentações desse curso que Cazuza canta pela primeira vez em um palco (interpretando "Odara", de Caetano).
Cazuza e Roberto Frejat, guitarrista do Barão, sintonizam-se de imediato. Afinal, ambos são fãs de Luís Melodia, Billie Holiday, Janis Joplin, Novos Baianos: é o início de uma das melhores parcerias do rock nacional. Contudo, o jeito porralouca de Cazuza se manifesta já no primeiro show da banda, quando, completamente de porre, canta o tempo todo com a braguilha da calça aberta. Em 1982 o Barão Vermelho lança seu primeiro disco. Aclamado pela crítica, obtém no entanto vendas pífias: 8 mil cópias. Uma injustiça, principalmente por se tratar do álbum que contém a obra-prima "Todo Amor que Houver Nessa Vida" ("Eu quero a sorte de um amor tranqüilo/ Com sabor de fruta mordida/ Nós na batida, no embalo da rede/ Matando a sede na saliva").
O segundo álbum, "Barão Vermelho 2" (1983), tem como carro-chefe "Pro Dia Nascer Feliz", música também gravada por Ney Matogrosso (ex-namorado de Cazuza, que o descreveu na biografia escrita por Lucinha Araujo como "um anjo caído do céu, encantador e apaixonante"). Mesmo assim, não vende mais que 15 mil cópias; fosse hoje, qualquer gravadora teria dispensado o Barão de seu casting (bons tempos, nos quais uma banda tinha o direito de uma terceira chance para finalmente emplacar). Tiro certeiro: "Maior Abandonado" (1984) vende 100 mil cópias, impulsionado pelo show no Rock in Rio, duas músicas na trilha sonora do filme "Bete Balanço" de Lael Rodrigues e uma turnê intempestiva marcada por confusões causadas pelas bebedeiras e destemperos de Cazuza, que tem seu desligamento do Barão anunciado oficialmente no "Fantástico" da Rede Globo, pouco antes da exibição do clipe de "Eu Queria Ter uma Bomba".
Em novembro de 1985 chega às lojas seu primeiro álbum solo, precedido pelo estouro nas FMs de "Exagerado", cuja letra descreve à perfeição seu jeito impulsivo ("Até nas coisas mais banais/ Pra mim é tudo ou nunca mais"). No ano seguinte lança seu segundo álbum, "Só Se For a Dois". Contudo, sua saúde começa a ratear: seu corpo perde peso, os cabelos tornam-se mais ralos. Em abril de 1987, o diagnóstico: Cazuza tem o vírus HIV. O fim do ano é marcado pelas primeiras crises decorrentes da Aids que já se manifestava, e Cazuza passa duas semanas internado na CTI de uma clínica em Boston. A resposta vem através da música: novas composições surgem em ritmo frenético. 1988 é o ano de seu auge criativo, com o lançamento de "Ideologia", seu melhor álbum. Nas letras, flashes de sua batalha contra a doença: "meu prazer agora é risco de vida", "eu vi a cara da morte e ela estava viva". Ao mesmo tempo, Cazuza flerta com a MPB e seus versos ganham em lirismo, como em "Minha Flor, Meu Bebê" ("Dizem que estou louco/ (...) em perder noites de sono/ Só pra te ver dormir/ E me fingir de burro/ Pra você sobressair") ou na belíssima "Blues da Piedade" ("Vamos cantar o blues da piedade/ Porque há um incêndio sob a chuva rala/ Porque somos iguais em desgraça").
Os sinais da doença tornam-se cada vez mais evidentes. Durante a turnê do lançamento de "Ideologia", Cazuza desmaia em um show em Belém do Pará. Noutro, no Canecão, cospe em cima da bandeira do Brasil. Em Maceió, arria as calças revelando não usar nada por baixo. Em meio a tudo isso, sofre com o turbilhão do tratamento da Aids, feito à base de AZT, remédio que lhe dá violentos efeitos colaterais. No começo de 1989, é lançado "O Tempo Não Pára", registro ao vivo dessa turnê; mais de 500 mil cópias são vendidas. Em fevereiro, finalmente admite em público, através de uma entrevista concedida a Zeca Camargo para a Folha de S. Paulo, que está com Aids. A partir desse dia, a imprensa não lhe dá paz. Pouco depois, contrai hepatite; do leito do hospital escreve freneticamente novas letras, agindo como se apenas suas atividades musicais fossem capazes de mantê-lo vivo. De cadeira de rodas, grava o álbum "Burguesia" em condições periclitantes: febril, com a voz débil e irregular.
Em 26 de abril de 1989, um duro baque: a revista Veja estampa em sua capa uma foto ressaltando a magreza quase esquelética do cantor, com a sensacionalista manchete "Uma vítima da Aids agoniza em praça pública". Cazuza lê toda a reportagem com olhos lacrimejantes, que se transformam em choro compulsivo após a leitura do último parágrafo, que sentenciava: "Cazuza não é um gênio da música. É até discutível se sua obra irá perdurar, de tão colada que está no momento presente". Em agosto sai "Burguesia", álbum duplo que contém a faixa "Azul e Amarelo", dos significativos versos "Senhor, estou pronto para ir ao seu encontro/ Mas não quero/ Não vou/ Eu não quero".
Dois meses depois, Cazuza é internado em São Paulo devido a uma hemorragia interna. Submete-se a tratamentos alternativos, que incluem vacinas à base de sangue de cavalo (pouco havia a fazer na época). Cazuza morre no dia 7 de julho de 1990, aos 32 anos de idade (pesava apenas 38 quilos). Seu legado: 126 músicas gravadas por ele mesmo, 34 por outros intérpretes e cerca de 70 inéditas.
(Um parênteses - reli hoje uma entrevista concedida por Cazuza a Sônia Maia para a edição de março de 1989 da finada revista Bizz, e me deparei com a seguinte declaração: "Eu ainda vou fazer uma excursão da Challenger para a Disneylândia, dar uma volta pela Inglaterra, entendeu? Nem preciso chegar na Lua, a Lua eu deixo para os meus netos". Que merda constatar que as idéias não correspondem aos fatos.)Escrito por Alexandre Inagaki em abril 12, 2004 10:17 PM TrackBack
Não gosto de cinebiografias, principalmente aquelas que enfocam astros do rock. Desde "A Rosa" (adaptação disfarçada da vida de Janis Joplin, estrelada por Bette Midler) até "The Doors" (horrendo longa de Oliver Stone, com Val Kilmer e Meg Ryan), nunca vi algo que prestasse. Aliás, espero que nenhum leitor deste blog tenha jogado tempo fora assistindo ao terrível "Hendrix", telefilme exibido no Telecine alguns meses atrás, que vi até o final movido por impulsos masoquistas. Talvez "A Fera do Rock" (biografia de Jerry Lee Lewis, protagonizada por Dennis Quaid) seja o menos pior de todos eles; mesmo assim, não o recomendaria para locação. Contudo, apesar dos precedentes traumáticos, confesso que estou curioso para assistir a "Cazuza - o Tempo Não Pára", Primeiro, porque Cazuza foi um de meus ídolos na juventude (ah, os anos 80), e é talvez o primeiro deles a ter sua vida retratada na tela grande. Segundo, porque a diretora é Sandra Werneck, a mesma dos bons "Amores Possíveis" e "Pequeno Dicionário Amoroso". Terceiro, porque a vida de Agenor de Miranda Araujo Neto honra o clichê: daria um filme e tanto. Mas, mesmo que não seja uma obra-prima, sua cinebiografia possui o mérito de resgatar a obra daquele que foi talvez o melhor compositor de sua geração.
Cazuza foi um enfant terrible. Filho de João Araújo, fundador da gravadora Som Livre, conviveu desde cedo com grandes nomes da MPB, ao mesmo tempo que usufruiu das benesses de pertencer a uma família de posses. Durante a adolescência viajou para Londres, começou (e abandonou) um curso de fotografia na Califórnia, morou em um apartamento em Ipanema (onde traficou cocaína), sempre às custas dos pais, que ainda assim tentaram "endireitá-lo". Um exemplo: cedendo às pressões familiares, Cazuza prestou e foi aprovado no vestibular do Centro de Comunicações de Jacarepaguá, mas trancou a matrícula logo em seguida. Questionado por João a respeito de sua atitude, retrucou:
- Você disse que me daria um carro se eu entrasse na faculdade, mas não falou nada sobre cursá-la...
Cazuza poderia ter sido mais um filhinho de papai babaca como tantos que se encontram por aí. Mas aquele moleque arrivista tinha um genuíno talento, que começou a ser estimulado a partir de um curso de teatro promovido pela trupe do Asdrúbal Trouxe o Trombone (grupo que revelou atores como Regina Casé e Luis Fernando Guimarães) no lendário Circo Voador. Lá, Cazuza conhece amigos como Bebel Gilberto (filha de João Gilberto e co-autora de "Preciso Dizer que Te Amo") e Léo Jaime (responsável por recomendá-lo ao Barão Vermelho, que estava à procura de um vocalista). Foi numa das apresentações desse curso que Cazuza canta pela primeira vez em um palco (interpretando "Odara", de Caetano).
Cazuza e Roberto Frejat, guitarrista do Barão, sintonizam-se de imediato. Afinal, ambos são fãs de Luís Melodia, Billie Holiday, Janis Joplin, Novos Baianos: é o início de uma das melhores parcerias do rock nacional. Contudo, o jeito porralouca de Cazuza se manifesta já no primeiro show da banda, quando, completamente de porre, canta o tempo todo com a braguilha da calça aberta. Em 1982 o Barão Vermelho lança seu primeiro disco. Aclamado pela crítica, obtém no entanto vendas pífias: 8 mil cópias. Uma injustiça, principalmente por se tratar do álbum que contém a obra-prima "Todo Amor que Houver Nessa Vida" ("Eu quero a sorte de um amor tranqüilo/ Com sabor de fruta mordida/ Nós na batida, no embalo da rede/ Matando a sede na saliva").
O segundo álbum, "Barão Vermelho 2" (1983), tem como carro-chefe "Pro Dia Nascer Feliz", música também gravada por Ney Matogrosso (ex-namorado de Cazuza, que o descreveu na biografia escrita por Lucinha Araujo como "um anjo caído do céu, encantador e apaixonante"). Mesmo assim, não vende mais que 15 mil cópias; fosse hoje, qualquer gravadora teria dispensado o Barão de seu casting (bons tempos, nos quais uma banda tinha o direito de uma terceira chance para finalmente emplacar). Tiro certeiro: "Maior Abandonado" (1984) vende 100 mil cópias, impulsionado pelo show no Rock in Rio, duas músicas na trilha sonora do filme "Bete Balanço" de Lael Rodrigues e uma turnê intempestiva marcada por confusões causadas pelas bebedeiras e destemperos de Cazuza, que tem seu desligamento do Barão anunciado oficialmente no "Fantástico" da Rede Globo, pouco antes da exibição do clipe de "Eu Queria Ter uma Bomba".
Em novembro de 1985 chega às lojas seu primeiro álbum solo, precedido pelo estouro nas FMs de "Exagerado", cuja letra descreve à perfeição seu jeito impulsivo ("Até nas coisas mais banais/ Pra mim é tudo ou nunca mais"). No ano seguinte lança seu segundo álbum, "Só Se For a Dois". Contudo, sua saúde começa a ratear: seu corpo perde peso, os cabelos tornam-se mais ralos. Em abril de 1987, o diagnóstico: Cazuza tem o vírus HIV. O fim do ano é marcado pelas primeiras crises decorrentes da Aids que já se manifestava, e Cazuza passa duas semanas internado na CTI de uma clínica em Boston. A resposta vem através da música: novas composições surgem em ritmo frenético. 1988 é o ano de seu auge criativo, com o lançamento de "Ideologia", seu melhor álbum. Nas letras, flashes de sua batalha contra a doença: "meu prazer agora é risco de vida", "eu vi a cara da morte e ela estava viva". Ao mesmo tempo, Cazuza flerta com a MPB e seus versos ganham em lirismo, como em "Minha Flor, Meu Bebê" ("Dizem que estou louco/ (...) em perder noites de sono/ Só pra te ver dormir/ E me fingir de burro/ Pra você sobressair") ou na belíssima "Blues da Piedade" ("Vamos cantar o blues da piedade/ Porque há um incêndio sob a chuva rala/ Porque somos iguais em desgraça").
Os sinais da doença tornam-se cada vez mais evidentes. Durante a turnê do lançamento de "Ideologia", Cazuza desmaia em um show em Belém do Pará. Noutro, no Canecão, cospe em cima da bandeira do Brasil. Em Maceió, arria as calças revelando não usar nada por baixo. Em meio a tudo isso, sofre com o turbilhão do tratamento da Aids, feito à base de AZT, remédio que lhe dá violentos efeitos colaterais. No começo de 1989, é lançado "O Tempo Não Pára", registro ao vivo dessa turnê; mais de 500 mil cópias são vendidas. Em fevereiro, finalmente admite em público, através de uma entrevista concedida a Zeca Camargo para a Folha de S. Paulo, que está com Aids. A partir desse dia, a imprensa não lhe dá paz. Pouco depois, contrai hepatite; do leito do hospital escreve freneticamente novas letras, agindo como se apenas suas atividades musicais fossem capazes de mantê-lo vivo. De cadeira de rodas, grava o álbum "Burguesia" em condições periclitantes: febril, com a voz débil e irregular.
Em 26 de abril de 1989, um duro baque: a revista Veja estampa em sua capa uma foto ressaltando a magreza quase esquelética do cantor, com a sensacionalista manchete "Uma vítima da Aids agoniza em praça pública". Cazuza lê toda a reportagem com olhos lacrimejantes, que se transformam em choro compulsivo após a leitura do último parágrafo, que sentenciava: "Cazuza não é um gênio da música. É até discutível se sua obra irá perdurar, de tão colada que está no momento presente". Em agosto sai "Burguesia", álbum duplo que contém a faixa "Azul e Amarelo", dos significativos versos "Senhor, estou pronto para ir ao seu encontro/ Mas não quero/ Não vou/ Eu não quero".
Dois meses depois, Cazuza é internado em São Paulo devido a uma hemorragia interna. Submete-se a tratamentos alternativos, que incluem vacinas à base de sangue de cavalo (pouco havia a fazer na época). Cazuza morre no dia 7 de julho de 1990, aos 32 anos de idade (pesava apenas 38 quilos). Seu legado: 126 músicas gravadas por ele mesmo, 34 por outros intérpretes e cerca de 70 inéditas.
(Um parênteses - reli hoje uma entrevista concedida por Cazuza a Sônia Maia para a edição de março de 1989 da finada revista Bizz, e me deparei com a seguinte declaração: "Eu ainda vou fazer uma excursão da Challenger para a Disneylândia, dar uma volta pela Inglaterra, entendeu? Nem preciso chegar na Lua, a Lua eu deixo para os meus netos". Que merda constatar que as idéias não correspondem aos fatos.)Escrito por Alexandre Inagaki em abril 12, 2004 10:17 PM TrackBack
sexta-feira, 6 de junho de 2008
geracao coca cola
No fim doa anos 80, inicio dos 90houve um êxodo no Brasil saindo da mancha ditatorial e entrando num país mais aberto ao mundo, tão aberto que as indústrias americanas enraizavam aqui, algo diferente começava a acontecer, eram os acordos que FHC fez para expansão das indústrias e comércio, tal expansão responsável por uma geração fast-food, um pais que quer ser igual ao outro e não ser o que é.
Geração coca-cola retrata a geração que vivia do consumo de produtos importados tidos como americanizados, que quer vestir, consumir, parecer e falar como os outrens é não como devem.
A música Admirável chip novo da cantora brasileira Pitty diz: “Nada é orgânico é tudo programado, e eu achava que tinha me libertado, mas lá vêm Eles novamente e eu sei o que vão fazer: Pense,fale,compre,beba,leia,vote não esqueça,use,seja,ouça,tenha,more, gaste e viva; Não senhor, Sim senhor.”
Quando Renato Russo disse que fomos programados em 95 a Pitty reafirma em 2000, uma década depois ainda somos manipulados, ainda obedecemos a ordens alheias, achávamos que havíamos sido libertados por respeito, mas a repressão esta nos portões de fundo em todos os lugares, a liberdade dos negros e o fim da revolução nada mais foi do que máscaras de liberdade, ao tirá-la, continuamos obedientes.
Tratam o Brasil como a Esbórnia, um grande lixão, tudo que não foi interessante quanto à música, filmes, seriados e desenhos são embalados e lançados aqui, a mídia sabe que o Brasil já está condicionado a gostar desse lixo e a mídia precisa corresponder a esse gosto. Nesta correspondência há duas vias; a dos que aboliram este caráter de programados e reagem às aversas, sendo formadores de opiniões;por outro lado os reprodutores daquilo que se ouviu devolvendo essa reprodução não só a sociedade mas ao mundo.
Somos filhos da revolução por que não somos revolucionários, nem queremos ser, somos apenas nostálgicos de uma luta que não foi nossa. O que é nosso,é a sede de gastar o que não temos e competir com quem pudermos, moldando um caráter já incutido; o da copia, do plágio, do ser outro. Sendo que o certo era conscientizar a sociedade que competimos de igual para igual na cidadania, pois acima de tudo é isso que somos empenhados em fazer o melhor, é não um país de malandragem.
Por:Ketleen Meskita
Geração coca-cola retrata a geração que vivia do consumo de produtos importados tidos como americanizados, que quer vestir, consumir, parecer e falar como os outrens é não como devem.
A música Admirável chip novo da cantora brasileira Pitty diz: “Nada é orgânico é tudo programado, e eu achava que tinha me libertado, mas lá vêm Eles novamente e eu sei o que vão fazer: Pense,fale,compre,beba,leia,vote não esqueça,use,seja,ouça,tenha,more, gaste e viva; Não senhor, Sim senhor.”
Quando Renato Russo disse que fomos programados em 95 a Pitty reafirma em 2000, uma década depois ainda somos manipulados, ainda obedecemos a ordens alheias, achávamos que havíamos sido libertados por respeito, mas a repressão esta nos portões de fundo em todos os lugares, a liberdade dos negros e o fim da revolução nada mais foi do que máscaras de liberdade, ao tirá-la, continuamos obedientes.
Tratam o Brasil como a Esbórnia, um grande lixão, tudo que não foi interessante quanto à música, filmes, seriados e desenhos são embalados e lançados aqui, a mídia sabe que o Brasil já está condicionado a gostar desse lixo e a mídia precisa corresponder a esse gosto. Nesta correspondência há duas vias; a dos que aboliram este caráter de programados e reagem às aversas, sendo formadores de opiniões;por outro lado os reprodutores daquilo que se ouviu devolvendo essa reprodução não só a sociedade mas ao mundo.
Somos filhos da revolução por que não somos revolucionários, nem queremos ser, somos apenas nostálgicos de uma luta que não foi nossa. O que é nosso,é a sede de gastar o que não temos e competir com quem pudermos, moldando um caráter já incutido; o da copia, do plágio, do ser outro. Sendo que o certo era conscientizar a sociedade que competimos de igual para igual na cidadania, pois acima de tudo é isso que somos empenhados em fazer o melhor, é não um país de malandragem.
Por:Ketleen Meskita
Eu, umbigo!
Sendo eu uma cicatriz deixada pelo cordão umbilical no ventre, ainda como cordão, sirvo para transportar alimentos a uma criação tão linda; um bebê. Este leva toda sua vida uterina recebendo o que eu lhe mando transportado como alimentos, oxigênio, amor e até os sentimentos da mãe são conduzidos.
Às vezes enrolo-me no bebê e me torno muito perigoso, pois posso sufocá-lo.
Ao nascer o bebê, eu costumo cair entre uma a duas semanas após o nascimento formando então o umbigo.
As mães apesar de saberem que sou um pedacinho que restou daquilo que ligava o bebê a elas, agora vêem um serzinho único e não mais parte dela. Comigo ligado a mamãe deixava tudo sobre controle na barriga, comigo cortado sou uma ferida da separação, da perda do controle, que não e mais só dela o bebê, mas partilha com o mundo.
Esse bebê tornando-se uma linda jovem me usa para exibição colocando mini-blusas; biquínis; para me mostrar aos outros, sempre acompanhado de uma barriguinha bem sequinha. Também sou ornamentado com um brinco, chamado piercing.
Quando os jovens querem sair de casa cedo, as mães logo dizem: “Já tão querendo corta o cordão né?!”, (triste realidade, mas já esta rompido faz tempo),quando alguém vai embora usa a frase: “E triste mas tenho que cortar o cordão umbilical(para brincar e deixar claro sua ligação com esse alguém).
Considerado símbolo sexual quando as mulheres turbinadas me exibem bronzeado e descolorido, é bem a cara do Brasil! Para os latinos sou ponto central do equilíbrio do corpo, para cientistas que não tem que fazer sou um armazém de fiapos coloridos.
Às vezes sofro queimadura no fogão com o gotejar de gorduras, doces...
Assim alguns me lambem outros fazem - me cócegas, a obesidade me esmaga, me torna grande, flácido e desconhecido, tem gente por ai que olha para o próprio umbigo, eu não arriscaria isso!
Por:Ketleen Meskita
Às vezes enrolo-me no bebê e me torno muito perigoso, pois posso sufocá-lo.
Ao nascer o bebê, eu costumo cair entre uma a duas semanas após o nascimento formando então o umbigo.
As mães apesar de saberem que sou um pedacinho que restou daquilo que ligava o bebê a elas, agora vêem um serzinho único e não mais parte dela. Comigo ligado a mamãe deixava tudo sobre controle na barriga, comigo cortado sou uma ferida da separação, da perda do controle, que não e mais só dela o bebê, mas partilha com o mundo.
Esse bebê tornando-se uma linda jovem me usa para exibição colocando mini-blusas; biquínis; para me mostrar aos outros, sempre acompanhado de uma barriguinha bem sequinha. Também sou ornamentado com um brinco, chamado piercing.
Quando os jovens querem sair de casa cedo, as mães logo dizem: “Já tão querendo corta o cordão né?!”, (triste realidade, mas já esta rompido faz tempo),quando alguém vai embora usa a frase: “E triste mas tenho que cortar o cordão umbilical(para brincar e deixar claro sua ligação com esse alguém).
Considerado símbolo sexual quando as mulheres turbinadas me exibem bronzeado e descolorido, é bem a cara do Brasil! Para os latinos sou ponto central do equilíbrio do corpo, para cientistas que não tem que fazer sou um armazém de fiapos coloridos.
Às vezes sofro queimadura no fogão com o gotejar de gorduras, doces...
Assim alguns me lambem outros fazem - me cócegas, a obesidade me esmaga, me torna grande, flácido e desconhecido, tem gente por ai que olha para o próprio umbigo, eu não arriscaria isso!
Por:Ketleen Meskita
“Não há uma boa sociedade se os políticos não fizerem uso da ética”
Um dos temas mais polêmicos dentro do quadro político brasileiro refere-se à ética: a ética dos candidatos, a ética do cidadão brasileiro, a ética no processo eleitoral... Será que existe essa ética? Se existe, até que ponto ela é favorável na execução de um voto? Em entrevista às repórteres Raquel Mendonça e Ketleen Mesquita, a professora acadêmica Aldenize Nascimento, especialista em filosofia e mestre em educação, esclarece a situação política existente hoje no Brasil, e dá sua opinião para uma melhoria de conscientização do voto.
Jornal- Há definição para ética na política?
Aldenize Nascimento- A definição de ética abarca todas as áreas e não especificamente a política. Poderíamos dizer que ética seria a teoria do comportamento moral dos homens em sociedade. Então, ética na política seria uma série de princípios morais que regeriam a ação política do homem.
Jornal- Até que ponto a política é compatível com a ética?
Aldenize- Teria que ser totalmente compatível, pois de outra forma o agente político se torna um ditador.
Jornal- A política pode ser eficiente se incorporar a ética?
Aldenize- Sim. O homem é um ser político. Não se pode ter uma boa sociedade se os agentes políticos não fizerem uso da ética.
Jornal- Não seria puro moralismo exigir que a condição da política seja justamente a ausência do despotismo (forma de governo em que o poder se encontra nas mãos apenas de um governante)?
Aldenize- Não. Ainda acho que o governo democrático, mesmo que ainda em formação, como é o caso do Brasil, seja a melhor forma de exercício político.
Jornal- O que as pessoas deveriam levar em conta na hora de votar, quando falamos em ética?
Aldenize- A postura do candidato frente às situações da sociedade, verificar se ele (a) é um (a) agente político que procura respeitar os preceitos de uma política que leve a sério o cidadão.
Jornal- Em sua opinião, como poderia mudar o quadro político brasileiro?
Aldenize- Mudanças de alguns políticos da safra antiga, herdeiros do regime militar e uma maior consciência política dos cidadãos brasileiros, que apenas há cerca de 20 anos estão amadurecendo o exercício da cidadania.
Um dos temas mais polêmicos dentro do quadro político brasileiro refere-se à ética: a ética dos candidatos, a ética do cidadão brasileiro, a ética no processo eleitoral... Será que existe essa ética? Se existe, até que ponto ela é favorável na execução de um voto? Em entrevista às repórteres Raquel Mendonça e Ketleen Mesquita, a professora acadêmica Aldenize Nascimento, especialista em filosofia e mestre em educação, esclarece a situação política existente hoje no Brasil, e dá sua opinião para uma melhoria de conscientização do voto.
Jornal- Há definição para ética na política?
Aldenize Nascimento- A definição de ética abarca todas as áreas e não especificamente a política. Poderíamos dizer que ética seria a teoria do comportamento moral dos homens em sociedade. Então, ética na política seria uma série de princípios morais que regeriam a ação política do homem.
Jornal- Até que ponto a política é compatível com a ética?
Aldenize- Teria que ser totalmente compatível, pois de outra forma o agente político se torna um ditador.
Jornal- A política pode ser eficiente se incorporar a ética?
Aldenize- Sim. O homem é um ser político. Não se pode ter uma boa sociedade se os agentes políticos não fizerem uso da ética.
Jornal- Não seria puro moralismo exigir que a condição da política seja justamente a ausência do despotismo (forma de governo em que o poder se encontra nas mãos apenas de um governante)?
Aldenize- Não. Ainda acho que o governo democrático, mesmo que ainda em formação, como é o caso do Brasil, seja a melhor forma de exercício político.
Jornal- O que as pessoas deveriam levar em conta na hora de votar, quando falamos em ética?
Aldenize- A postura do candidato frente às situações da sociedade, verificar se ele (a) é um (a) agente político que procura respeitar os preceitos de uma política que leve a sério o cidadão.
Jornal- Em sua opinião, como poderia mudar o quadro político brasileiro?
Aldenize- Mudanças de alguns políticos da safra antiga, herdeiros do regime militar e uma maior consciência política dos cidadãos brasileiros, que apenas há cerca de 20 anos estão amadurecendo o exercício da cidadania.
Por:Ketleen Meskita
Jornal- Há definição para ética na política?
Aldenize Nascimento- A definição de ética abarca todas as áreas e não especificamente a política. Poderíamos dizer que ética seria a teoria do comportamento moral dos homens em sociedade. Então, ética na política seria uma série de princípios morais que regeriam a ação política do homem.
Jornal- Até que ponto a política é compatível com a ética?
Aldenize- Teria que ser totalmente compatível, pois de outra forma o agente político se torna um ditador.
Jornal- A política pode ser eficiente se incorporar a ética?
Aldenize- Sim. O homem é um ser político. Não se pode ter uma boa sociedade se os agentes políticos não fizerem uso da ética.
Jornal- Não seria puro moralismo exigir que a condição da política seja justamente a ausência do despotismo (forma de governo em que o poder se encontra nas mãos apenas de um governante)?
Aldenize- Não. Ainda acho que o governo democrático, mesmo que ainda em formação, como é o caso do Brasil, seja a melhor forma de exercício político.
Jornal- O que as pessoas deveriam levar em conta na hora de votar, quando falamos em ética?
Aldenize- A postura do candidato frente às situações da sociedade, verificar se ele (a) é um (a) agente político que procura respeitar os preceitos de uma política que leve a sério o cidadão.
Jornal- Em sua opinião, como poderia mudar o quadro político brasileiro?
Aldenize- Mudanças de alguns políticos da safra antiga, herdeiros do regime militar e uma maior consciência política dos cidadãos brasileiros, que apenas há cerca de 20 anos estão amadurecendo o exercício da cidadania.
Um dos temas mais polêmicos dentro do quadro político brasileiro refere-se à ética: a ética dos candidatos, a ética do cidadão brasileiro, a ética no processo eleitoral... Será que existe essa ética? Se existe, até que ponto ela é favorável na execução de um voto? Em entrevista às repórteres Raquel Mendonça e Ketleen Mesquita, a professora acadêmica Aldenize Nascimento, especialista em filosofia e mestre em educação, esclarece a situação política existente hoje no Brasil, e dá sua opinião para uma melhoria de conscientização do voto.
Jornal- Há definição para ética na política?
Aldenize Nascimento- A definição de ética abarca todas as áreas e não especificamente a política. Poderíamos dizer que ética seria a teoria do comportamento moral dos homens em sociedade. Então, ética na política seria uma série de princípios morais que regeriam a ação política do homem.
Jornal- Até que ponto a política é compatível com a ética?
Aldenize- Teria que ser totalmente compatível, pois de outra forma o agente político se torna um ditador.
Jornal- A política pode ser eficiente se incorporar a ética?
Aldenize- Sim. O homem é um ser político. Não se pode ter uma boa sociedade se os agentes políticos não fizerem uso da ética.
Jornal- Não seria puro moralismo exigir que a condição da política seja justamente a ausência do despotismo (forma de governo em que o poder se encontra nas mãos apenas de um governante)?
Aldenize- Não. Ainda acho que o governo democrático, mesmo que ainda em formação, como é o caso do Brasil, seja a melhor forma de exercício político.
Jornal- O que as pessoas deveriam levar em conta na hora de votar, quando falamos em ética?
Aldenize- A postura do candidato frente às situações da sociedade, verificar se ele (a) é um (a) agente político que procura respeitar os preceitos de uma política que leve a sério o cidadão.
Jornal- Em sua opinião, como poderia mudar o quadro político brasileiro?
Aldenize- Mudanças de alguns políticos da safra antiga, herdeiros do regime militar e uma maior consciência política dos cidadãos brasileiros, que apenas há cerca de 20 anos estão amadurecendo o exercício da cidadania.
Por:Ketleen Meskita
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